quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Autópsia De Um Mito

E senti-me leve como a brisa da verão.
Tudo esqueci, tudo de mau.
Tornei-me feliz naquele instante.
No azul da atmosfera, ví um círculo de esperança.
Ví um quadrado roxo da paixão impotente
e o vermelho da paixão imorredora.
Sentí-me viver mais a cada minuto.
Ví amores efêmeros.
Ví flores fenecerem e continuei eu.
O manto da noite, rico presente do Criador.
O orvalho nas folhas da madrugada,
parecia um diamante grande e límpido
que todas as mulheres sonham.
Senti-me primavera de repente.
Quis ser uma ninfa e correr nos bosques.
Desejei um fauno que saciasse os meus desejos.
Bebí água na fonte branca e virginal.
Toquei meus seios, inflamados de paixão.
Virei uma borboleta e voei....
Metamorfoseei-me. E fui Outono.
Folhas cobriam-me como a me protegerem.
As cigarras já cantavam roucas,
sentindo a morte chegar.
Ironia das árvores nuas, a protegerem os namorados.
Espinhos secos, como vida de virgem.
Mulheres se oferecendo no vento cortante,
como cadelas em cio. Chorei, choro de outono.
Lembrei-me dos meus sonhos de donzela
e parti em busca de novos sonhos...
O tempo passou, eu não ví que envelhecí.
Os meus cabelos já estão sem viço,
meu corpo já não atrai paixões.
Já não sinto em mim a fêmea de outrora.
Já não me sinto a zíngara aventureira
a procura de um ponto em sua solidão.
Sou apenas uma entre muitas.
Ah... Irônico ostracismo de uma mulher só,
que tanto fez prantear
e hoje prantea s solidão...
Ah, o inverno de maus cabelos brancos...

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