Ontem, 08 de março, foi o Dia Internacional da Mulher.
A mulher moderna já sabe encarar o outono da vida, como diz Adélia Prado em seu poema Vida Eterna; ela diz: "Meio Século! O peso destas palavras ia me deixar de cama. Não vai mais. Aprendo sabedorias".
Lembro-me do nascimento de minha neta Alice que certamente contribuiu para que eu adquirisse uma compreensão da transitoriedade existencial que, tal como as estações do ano, são mutáveis.
Enquanto eu admirava a pele de cetim da princesinha da família, que simbolizava a 3ª geração, eu fitava o espelho e constatava o desgaste provocado pela voracidade do tempo.
Tudo isto é natural, mas como nos deixa inseguras! Nós criamos em nossa mente a ilusão de que só as fotografias amarelam com o tempo, como as folhas que caem, no outono...
Mulheres da meia idade não aceitam a passagem do tempo. Culpam a menopausa. Temem críticas do olhar masculino.
Muitas se tornam sistemáticas, perfeccionistas, exigentes, intolerantes. Outras não se valorizam, permitindo-se serem abandonadas à própria sorte e, em algumas ocorre o retrocesso à adolescência.
As artistas já na fase dos cinquentinhas tentam mostrar uma jovialidade exacerbada, como se tivessem descoberto o poder de congelar o tempo; exemplos: Suzana Vieira, Vanderleia, Irene Ravache, Regina Duarte, Helba Ramalho, a estonteante Vera Fischer e tantas outras. É óbvio que lutaram bravamente ao sentirem a passagem do tempo. O medo do envelhecimento é tão grande, que Greta Garbo optou pelo exílio voluntário, a mostrar sua decadência física diante dos holofotes. Alternativa? Ou se esconde, ou morre-se cedo, como Marilyn Monroe, Leila Diniz, Elis Regina, Dina Sfat, Grace Kelly, Princesa Diana e outras celebridades que ficam na memória de fãs e amigos, como divas eternas. Jackeline Kennedy, mito do Século XX, enfrentou com dignidade até o cancer, que a consumiu - um drama a mais que o mundo acompanhou, na trajetória de seu estilo aristocrático de viver.
A hora do desenlace final só a Deus pertence. É prudente não questionar "espelho, espelho meu, existe alguem mais bela do que eu?" Raríssimas mulheres podem ousar esta pergunta; talvez Gizele Bundchein, Ana Paula Arósio, Maria Fernanda Cândido, Ana Rickman... Oxalá elas tenham consciência de que, alem da beleza física, é imprescindível tambem cuidar do espírito, pois esse sim, viverá por toda a eternidade!
No mais, viva o Dia da Mulher, todos os dias!
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